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22 de Setembro de 2019

Suprema corte virtual - I

Consequência do estado virtual de Direito.

Ivan Kallas - 0 Véio, Bacharel em Direito
Publicado por Ivan Kallas - 0 Véio
há 3 anos

Verdade ou fantasia, a mente humana convive com as próprias lembranças, muitas delas como se fossem vivas ou reais. Talvez o sejam, no multiverso. Nossos antepassados habitam este referencial. Ou seria imaginário? Real ou virtual?

São muitas as tradições que explicam e até normatizam fé e justiça. Nos tempos modernos, as mais vivas, até amedrontadoras, são as convicções muçulmanas do paraíso. Inspiradas em Maomé, onde mártires vêm a obter seu prêmio pela vida. Ou sacrifício dela, no auto holocausto, como forma de confessar a própria crença e punir infiéis. Cristãos já viveram se sacrificando ou ceifando vidas, em cruzadas pela recompensa celestial. Católicas ou evangélicos, de diversos matizes, disputam convicções. Todas convergindo para a segunda vinda de Cristo. Instância final de julgamento.

Esta crença tem origem em religiões mais antigas. A mais ocidental delas o judaísmo. Onde Abrahão, patriarcas, profetas e reis legaram escritos, sobre o berço civilizatório, em torno da mesopotâmia e mediterrâneo. Revelam o Código de Hamurabi, escrito próximo a Ur. Comunidade mais antiga da história. Da mesma forma papiros egípcios. Cada qual contando sua versão sobre fatos e crenças. O famoso livro dos mortos estabelece roteiro para levar ao paraíso. Antigos gregos ensinavam o caminho de Hades, na famosa travessia do rio sem volta. Pelo preço de uma moeda, colocada nos olhos, o falecido pagava ao barqueiro. Raros teriam voltado para confirmar experiência. Ou pedir devolução da suposta taxa de travessia.

Pouco conhecedor das versões não arrisco relatar costumes mais ao oriente, Índia, China,... Entretanto a variedade de convicções a respeito mereceria melhor visita. Nem são desconhecidas crenças wikings, indígenas de origem mais remota, ou africanas que teriam chegado em variações umbandistas ou sejam lá como melhor se defina. Deveria registrar outras convicções da virtualidade além da vida. Não o faço, repito, por falta de competência.

Recomendo a História de Deus, em livrarias e bibliotecas. Ou, da teologia para a filosofia, chega-se à História de Sofia. Explorações do divino e do humano. Relatam-se ali as principais manifestações laicas, religiosas ou científicas sobre os primórdios da fé, crenças ou convicção humanas. Substrato de sua capacidade ética, de relacionamento e de julgamento.

Aportando à Renascença, a civilização, cumprindo supostos ciclos de fases e crises, supera dificuldades reais ou imaginárias da convivência e adentra a Era Científica. Hoje suplantada pela Era Digital. Déscartes com discurso do método e o contrato social de Rousseau são base de muita crença. Acrescente-se Galileu com o método empírico. Ainda ficam importantes convivas de fora. Saltando dos alquimistas, precursores da impressão 3D, para Comte, chegamos a Eistein e Hawking. Inatingíveis por pobres mortais, tiveram bons tradutores. Todos especulando as teorias das essências e dos processos. Ondas cibernéticas.

Cidadãos compartilham fé, crenças e convicções. Vêm das tradições mais diversas cuja origem nem se explica. A fé muito menos. Habitam profundezas de suposto ser ou alma, arraigada em mecanismos psico ou parapsicológicos. Convicções se constroem sobre árduo e longo aprendizado e prática. Do que o rabisco acima, a esmo, ao fluxo de lembranças imediatas, provoca alguns tópicos, elementares ao raciocínio.

Artigo anterior sobre Estado de Direito Virtual descreve a introdução à tese que compulsa milhares de autores e casos. De Ackoff, em Redesign the Future, à solitária página copiada de Steade, tão badalado hoje em dia. Aquele especula sobre futuro. Este descreve convicções de três gerações passadas. Tratou do Stablishment, Young Challengers e Mr. In-Between. Representando a velha guarda dominante que viveu o pós-guerra. A geração desafiante dos jovens da década de 80 e a geração sanduíche ou coluna do meio. Sem o poder dos velhos, nem a coragem dos jovens. Tornando-se voto de minerva no desempate do conflito de gerações. Mas o tempo passa e as posições mudam.

A análise foi atualizada pós-geração X. Dos mesmos Youngs de 1950 que envelheceram e se tornaram resistentes à modernidade, inclusive digital. A geração Y, ou Baby Booms veio confrontá-los. Novos desafiantes da crença, tecnologia e empreendedorismo. Confrontados hoje pela geração Z, ainda mais desafiadora. Dos que nasceram com tablete ou ipod na mão, presente do obstetra. Melhor ainda está sendo ganhar pele digital hiperlincada com o universo, antes mesmo de sugar seios maternos. Tecnologia superada, pois já se pensa digitalizar embrião dentro do óvulo, no próprio útero. Ou transmitir ao vivo olimpíadas dos espermatozoides. Com uma só medalha de ouro. Ou chip de pura cibernética?

O leitor alcança o meio da 2ª página, sem chegar ao título. Para não violar lei da leitura moderna, faço break. Executivos só lêem página e meia. A média dos leitores lê ½ página. Jovens ficam com 2 linhas ou palavras. Rezek de Haia mas também do Vale da Eletrônica, sentencia 40m’ máximos de atenção. Está sendo reformado para 15m'. Em acato à jurisprudência, identifico estes rabiscos como parte I, em introdução ao ambiente em que surge a Suprema Corte Virtual. Sobre que se fala diretamente na parte II.

Não se assuste. Nem tente fugir. Inútil. O papão vai te pegar. Sem chance.

Fujo da tecnologia desde os 9 anos de idade. Quando, entre cavalos e carros de boi, surripiaram bolinha de gude, peão e estilingue, apetrechos da infância. Sem ter a quem recorrer. Impingiram radares, paranóicas e ameaças com tiros de laser. Sempre sou apanhado de volta. Até por policiais. Apelo hoje para a fungibilidade dos direitos e processos. Multivalência, que inspira o Nobel da Física, 2016. Mas vamos devagar com o andor.

Convido você a percorrer aventura virtual. Jovens, velhos e executivos, até crianças, já o fizeram comigo nas décadas de 80, 90 e 00. Alcançaram resultado, do boteco portátil à joint-venture transnacional. Nunca prometo nada. Exceto nos divertir. Quiçá ter sucesso.

Acessem o artigo Estado Virtual do Direito, sobre a revolução pós weberiana no play da plimplim. JusBrasil, Linkedin ou Facebook. Não percam o novo capítulo já anunciado, mas ainda sem patrocinador. Seja candidato a membro da Suprema Corte Virtual.

O Véio

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